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Editorial

História Agora n. 11

Dossiê Religiões e Religiosidades no Tempo Presente – Volume 2

Em 25 de dezembro de 2010 a História Agora lançou sua décima edição, com o primeiro volume do dossiê Religiões e Religiosidades no Tempo Presente. O dia 17 de julho de 2011 foi a data escolhida para o lançamento do segundo volume do dossiê, coincidindo com o dia em que se promove a abertura do XXVI Simpósio Nacional da ANPUH, associação que em 2011 completa 50 anos de trabalhos relacionados ao ensino e pesquisa de História.

Florescem neste segundo volume do dossiê Religiões e Religiosidades no Tempo Presente da História Agora trabalhos empíricos e inscritos em uma (e por uma) proximidade temporal, com abordagens que afloram uma multiplicidade de temas, apontando perspectivas que transcendem a historiografia em direção à transdisciplinaridade.

Wellington Teodoro da Silva apresenta a “sacralização impessoalizante” como característica da Nova Era e desdobramento da modernidade, enquanto Antonio Maspoli de Araújo Gomes analisa o messianismo milenarista brasileiro através da ótica da psicologia histórica da religião e Sidney N. de Oliveira e Desirée V. Bianeck identificam, através de reflexões psicanalíticas, a morte na umbanda como “sagrado emancipador”.

Flávio Munhoz Sofiati observa as tendências orgânicas do catolicismo brasileiro à luz das noções de Gramsci sobre a Igreja Católica Italiana, e Michel Foucault norteia a análise de Edelcio Ottaviani, André Luiz Fabra e Jerry Adriano Chacon a respeito de ações e saberes de ordem filosófica e teológica em ações pastorais. 

A mediação cultural e política na esfera pública, imbricada com a reverberação do discurso religioso, é identificada por Lyndon de Araújo Santos, que analisa documento de 1932 e aponta para o reordenamento do protestantismo no campo religioso brasileiro, e por Catarina Maria Costa dos Santos e Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho, que contemplam a reverberação do discurso batista, repleto de uma tradição escrita, no cotidiano das culturas de tradição oral da Amazônia. E a contribuição internacional de Silvia Hamui Sutton, traduzida, identifica a transmissão de valores religiosos através da oralidade e da canção, analisando os cânticos de louvor à Virgem Maria e ao menino Jesus.

A construção do imaginário religioso é tratada por alguns dos trabalhos selecionados.  Elisa Mariana de Medeiros Nóbrega e Geralda Medeiros Nóbrega notam a mistura entre sistemas de estratégias de poder e crenças táticas em torno da Cruz da Menina, e César Henrique de Queiroz Porto e José Eustáquio Chaves Filho analisam algumas das formas de abordagem sobre o mundo islâmico pelo discurso televisivo, o qual reproduz e aprofunda estereótipos e fomenta a intolerância religiosa.

Elenita Malta Pereira apresenta como Henrique Luiz Roessler elabora uma ideia de religião de proteção à natureza, percebendo a si mesmo como missionário, enquanto Claudia Barbosa Teixeira identifica as estratégias de ocupação espacial e as marcas deixadas pelo cristianismo na formação urbana da cidade do Rio de Janeiro. Anaxsuell Fernando da Silva apresenta a atuação de igrejas evangélicas de Natal na cosmovisão de seus ‘fiéis-ouvintes’, e Diego Omar da Silveira analisa um semanário católico de Mariana como portador de (in) formações sobre temas diversos aos seus ‘fiéis-leitores’.

Edgard Leite apresenta o impacto da crítica histórica bíblica sobre a teologia judaica contemporânea, contemplando o diálogo com algumas das narrativas rabínicas. Rachel Mizrahi e Lilian Ferreira de Souza entrevistam Michel Schlesinger no tocante à sua experiência como neto de sobreviventes da Shoah e rabino da Congregação Israelita Paulista (CIP).

O fenômeno da “neopentecostalização” é apresentado por Marina Aparecida dos Santos Correa em relação à Assembleia de Deus do bairro paulistano do Bom Retiro, e por Marcelina das Graças de Almeida e Welington Carlos Silva no tocante à Igreja Metodista mineira; e a Teologia da Prosperidade, potente no neopentecostalismo, é lembrada por Eduardo Guilherme de Moura Paegle através da resenha que faz sobre livro de Luiz Alexandre Solano Rossi.

O segundo volume do dossiê Religiões e Religiosidades no Tempo Presente da História Agora traz, ainda, duas colaborações na seção Artigos, destinada à publicação dos trabalhos que nos chegam em fluxo contínuo: Rodolfo Fiorucci sugere uma discussão envolvendo pressupostos da História do Tempo Presente, e Rodrigo Silveira Cogo anota a contação de histórias como método de transmissão e conservação de memórias e narrativas.

Na seção Entrevistas, a professora Magali da Silva Almeida comenta sobre representação e identidade de populações negras na relação entre candomblé e pobreza a Clarissa Fernandes do Rêgo Barros, enquanto a professora Marlene de Fáveri conversa com Paulo Roberto Santhias acerca de experiências de separação, apontando para nosso próximo dossiê, cujo tema será Gênero. A História Agora – revista de História do Tempo Presente – deseja a todos excelentes leituras!

Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão Filho

Organizador da Edição 11 da História Agora – revista de História do Tempo Presente

Dossiê Religiões e Religiosidades no Tempo Presente - Volume 2

17 de julho de 2011

 

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