CHAMADA PARA ARTIGOS REVISTA HISTÓRIA AGORA 2011 |
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Escrito por Editores
Qua, 17 de Novembro de 2010 02:45
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DISCUTINDO QUESTÕES DE RAÇA E DE GÊNERO NA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE. Em um mundo globalizado que se “transforma em sua própria modernidade” como declarou o sociólogo inglês Anthony Guiddens, a multiplicidade de identidades opera em uma realidade social onde tradição e modernidade se misturam. No terreno da insegurança, da sociedade de risco e da individualização, o pós- tradicionalismo emerge como uma saída à hostilidade e ao vazio social, cultural e identitário que vive a sociedade moderna. Em outras palavras, poderíamos exemplificar o pós-tradicionalismo como a emergência de movimentos fundamentalistas, de grupos nazi-fascistas, de nacionalismos ou de movimentos sociais que lutam pelo reconhecimento étnico, de gênero e cultural. Se na França os imigrantes que habitam os guetos expressaram sua indignação e ausência de direitos incendiando carros como ocorreu em 2005 no subúrbio de Clichy sous Bois, esta mesma França da “liberdade, igualdade e fraternidade” de outrora, mantém a postura conservadora aos imigrantes através da lei de proibição ao uso da burca e do véu para as mulheres mulçumanas aprovada recentemente pelo presidente Sarcozy. A polêmica colocada no Tempo Presente implica na existência de uma contradição posta não apenas pela modernidade ou modernização, mas também pela crise do próprio Estado frente à reconstrução das relações de produção capitalista a partir da década de 1970, que impulsionaram transformações econômicas, sociais, políticas e culturais através do desenvolvimento da tecnologia e da flexibilização das relações de produção, o que em contrapartida permitiu a organização pluralista da sociedade em defesa dos direitos negados pelo neoliberalismo. Neste cenário de ebulição, os movimentos de reafirmação religiosa emergem como forma de combater o motor da modernização e do próprio capital. O fatídico 11 de setembro de 2001 ocorrido nos EUA exemplifica a retaliação de grupos terroristas, em especial a Al-Qaeda liderado por Osama Bin Laden, contra a ocupação dos EUA no Afeganistão sob a liderança de George W. Bush na luta contra o Talibã. A guerra contra o terrorismo aumentou no interior da sociedade americana o preconceito aos imigrantes, em especial aos mulçumanos. Os conflitos étnicos que assolam a História presente assumem formas diversas. A exemplificação do preconceito aos imigrantes na França e nos EUA, não exclui o racismo a qual vivem os afro-descendentes em ambos os países. A questão racial nos EUA, por exemplo, possui raízes na sua própria formação do país. Com a abolição da escravidão realizada pelo presidente Abhraham Lincon em 1865 após a Guerra de Secessão (1861/1865), a cidadania aos negros havia sido garantida legalmente. No entanto, a bancada de deputados republicanos representantes dos Estados do Sul, que lutavam contra a abolição e os direitos dos negros, aprovaram a Jim Crow – uma legislação que proibia o voto dos negros e instituiu o código “separate but equal”, que criou o apartheid nos EUA. Compreender a história das relações raciais nos EUA explica não apenas o alcance tardio dos direitos dos negros no país, a partir da militância dos diferentes movimentos sociais e líderes como Malcon X e Martin Luter King, mas também permite desvelar as relações raciais existentes no tempo presente e a importância da defesa da identidade e cultura negra como forma de afirmação de direitos. No Brasil os estudos caminharam para um revisionismo histórico na tentativa de compreender na história da escravidão o protagonismo dos africanos e seus descedentes para além da visão economicista de mão de obra presente na historiografia clássica. A historiografia contemporânea ampliou o debate por meio da História Social, da realização de pesquisas com descendentes de escravos procurando operar com a oralidade e, sobretudo, com os estudos no período de pós-abolição, onde foi possível revelar uma nova narrativa sobre a história, a questão racial e a própria construção do racismo na formação da sociedade brasileira. Pensando nas questões de gênero colocadas no mundo contemporâneo, torna-se visível que o papel da mulher nas famílias nucleares, no mercado de trabalho e na própria vida contemporânea foi modificado tal qual a sociedade pós-moderna. A longa trajetória de luta por direitos e inserção no mercado de trabalho realizado pelas mulheres na História, assume na contemporaneidade uma múltipla jornada social econômica e política responsável por reconstruir o papel da mulher na sociedade. Hoje as mulheres ocupam o lugar de chefes de Estado, mas ao mesmo tempo convivem com relações sexistas que em sua maioria determinam a precarização do trabalho feminino, o que exemplifica as contradições da vida moderna e a questão de gênero como um ponto fundamental para pensar a questão social. A polêmica esta posta e a Revista História Agora propõem dois dossiês críticos e interessantes para discutir a questão racial e a questão de gênero na História do Tempo Presente. Envie seu artigo!
Os Editores!
Dossiê: Questão de Gênero na História do Tempo Presente: Data Final de envio dos artigos: 31/08/2011 Publicação: 30/09/2011 Editores Organizadores: Marta Gouveia de Oliveira Rovai e Eduardo Maranhão
Dossiê: Questão racial e Racismo na História do Tempo Presente Data Final de envio dos artigos: 09/12/2011 Publicação: 01/02/2012 Editores organizadores: Clarissa F. do Rêgo Barros e Marcos Abreu
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| Última atualização em Qua, 27 de Julho de 2011 22:44 |