História Imediata
Esta terminologia levanta mais polêmicas do que o termo história do tempo presente. Sim, imediata, mas quão imediata? Acaso é possível escrever no calor do acontecimento? Se este tipo de história define-se como uma proximidade acentuada entre o sujeito e objeto, é inegável, porém, que a menor investigação, análise e escrita requerem tempo, fazendo com que a obra não pertença mais ao imediato. Mas o termo é o que melhor se adequa à este novo projeto da ciência de Clio, agora não mais na infância, o que lhe permite contatos mais ardentes com o tempo demasiadamente recente.
Assim, pode-se afirmar que a história imediata é um gênero híbrido entre a história e o jornalismo. Mas antes de tudo, não podemos esquecer que ela é sempre um testemunho. Por mais rigor que o autor da obra se utilize, por mais acurada e objetiva a análise do livro seja, ela permanecerá sempre um testemunho de seu tempo, pois seu autor tem relação direta com o tema - ele é um ator social da própria história. E aqui lembramos do livro L´Etránge Defaite (1940), de Marc Bloch, um historiador e um membro da resistência francesa. Assim, se esta história não é verdadeiramente uma pesquisa histórica, ela tem um papel social que tanto complementa a história do tempo presente, quanto levanta matéria para reflexão. Falar do imediato é um retorno do intelectual ativo, conectado com as questões prementes de seu tempo, que não apenas busca entendê-lo, explicá-lo , mas também transformá-lo. Aqui reivindicamos para o historiador o próprio papel de ator nos processos históricos e que, mesmo diante dos perigos de se fazer uma análise por demais subjetiva, não titubeia ante os riscos de tal reflexão. A busca pela verdade histórica, ainda que impossível de se concretizar inteiramente, continua a ser o guia de todo historiador. Como bem afirmou Jean-François Sirinelli, “assumir a subjetividade é meio caminho andado para controlá-la”.
Nesse sentido, nos espelhamos em filósofos e historiadores de diversas matrizes intelectuais, como Marx, Marc Bloch, Said, entre outros.
História do Tempo Presente
A História do presente, esta sim, insere-se na verdadeira pesquisa histórica. Aqui cedemos a palavra à Serge Bernstein e Pierre Milza:
"A história do Presente é primeiramente e antes de tudo história. Sem negar as especificidades que a marcam, (...), seus objetivos, métodos, fontes, a história do Presente não difere em nada da História do século XIX. (...) O historiador [do
presente] tenta restituir a evolução na duração que permite compreender por que o processo chegou-se à situação presente: ele se dedica a descrever as estruturas cujas transformações dão conta da emergência factual de fenômenos cuja gênese se situa sempre a médio ou longo prazo".
Assim, a história do tempo presente tem um recuo expressivo, ainda que ela seja feita diante de seus atores. E porque o presente é sempre fugidio, os limites do tempo presente precisam ser revistos continuamente.
A História Agora
Portanto, História Agora tem dois significados. O primeiro delimita o tempo em que vamos situar o nosso estudo, o sempre fulgaz presente, o agora. O segundo é de ordem imperativa e contrária. Combatendo o efêmero, bradamos a necessidade da história em nossas vidas, de diminuir o vão entre nós e o nosso passado, de buscar inteligibilidade aos acontecimentos atuais, massificados pela mídia que, no máximo, faz um resumo do dia, através do jornal do horário nobre. Trata-se, pois, de inserir os acontecimentos atuais e do tempo presente nos processos históricos. Agora, é preciso ter história.
Para isso, julgamos necessário que se observe a história do tempo presente através de suas múltiplas abordagens, sejam elas econômicas, sociais,culturais, políticas ou sociais, para não incorrer no perigo de apresentar apenas questões parciais. A revista História Agora tem por objetivo abrir um espaço para que intelectuais, pesquisadores e estudantes, possam debater, divulgar e entender as questões que se encontram em aberto nesse inicio de milênio.
Os Editores