|
Não tão poética como a novela global nem tão simples como em Quem quer ser um milionário?, a Índia é a maior democracia do mundo, com 713,1 milhões de eleitores em potencial e uma espera nas urnas, em seu processo eleitoral que vai de 16 de abril a 15 de maio, de 675 milhões destes.
O filme do diretor Danny Boyle mostra uma real faceta indiana, no qual crianças perambulam em busca de mínimas condições de vida. O país pobre, paulatinamente ao crescimento de Jamal e Salim, aparece vigoroso. Um capitalismo em construção, com prédios sendo erguidos. Entretanto em duas horas Danny Boyle conseguiu transmitir a Índia que cresce. A nação de antes e depois, e não ela por inteiro em sua total complexidade. Apesar disso, o crescimento indiano está em risco. O PIB crescia 9% ao ano em média e agora tem sido afetado pela crise mundial. Inúmeros indicadores já estão no vermelho. A produção industrial, que representa 28% do PIB, vem se contraindo desde dezembro, algo que não ocorria havia 15 anos. O senador brasileiro Aloísio Mercadante (PT) previu, recentemente, a saída do país no chamado Bric devido a conflitos religiosos e a instabilidade política. O hindu é a religião da maioria dos indianos e outras religiões como os cristãos e mulçumanos sofrem represálias dos hindus. Em artigo para seu blog Glória Perez, autora da novela Caminho das Índias sintetiza que a sociedade indiana se organiza em castas de igual modo o africano em tribos e o capitalista em classes. Ela simplificou uma verdade ao que concerne a Índia e generalizou ao se ater a África. Egito e África do Sul são exemplos vivos de países africanos que não seguem o raciocínio da dramaturga. As castas indianas eram compostas, em seus primórdios, pelos Brâmanes (religiosos e nobres), Xátrias (guerreiros), Vaixás (comerciantes) e Sudras (operários, camponeses e artesãos). No periférico havia os párias (sem castas). Esses últimos estavam abaixo dos escravos não sendo merecedores do toque deles e dos demais. Tal divisão se originou no Manu, livro santo da religião hindu. Dessas iniciais ramificaram-se inúmeras outras. Atualmente existem milhares delas. Pertencer a uma casta é ter a sua vida imutável. Você nasce e é educado para a ocupação da sua referente casta e não pode migrar. Não existem restrições de lei quanto a isso. Pelo contrário, a legislação se esforça por um social igualitário na Índia. É o costume de uma civilização milenar que se coloca acima da própria lei. Por esse motivo que Gandhi, um nobre indiano, lavava latrina. Queria mostrar a todos que não era melhor nem pior que ninguém.
No dia 16 de abril começou o processo eleitoral na Índia. O país que por anos viveu a estigma de regimes totalitários terá seu processo eleitoral concretizado em um mês. Nas regiões mais povoadas e mais conflituosas da Índia, como Caxemira ou os estados do nordeste, a votação ocorrerá em várias fases, enquanto em outros haverá apenas um dia de eleições. Essa é a primeira eleição em quase duas décadas que não acontece em meio a uma ansiedade nacional em relação ao terrorismo ou a uma possibilidade de guerra contra o vizinho Paquistão, que possui armas nucleares. No papel, no entanto, o governo de centro esquerda, administrado desde 2004 pelo Partido do Congresso pode se gabar de ter conseguido até 2008 um crescimento do PIB colocando a Índia no décimo lugar do ranking mundial. Mas a máquina emperrou ano passado, depois que a crise começou. O Partido do povo indiano (BJD, direita e Hindu) é oposição. Manmohan Singh, 76 anos, é o primeiro- ministro indiano (representante máximo do país) e quer a reeleição. O candidato do BJD é Lal Krishna Advani, 81 anos. Ambos veteranos no cenário político da Índia. Há milhares de denúncias de compras de votos, seja por dinheiro ou por água ardente. Isto é explicável pelo fato de 620 milhões de indianos viverem com 1,35 dólares por dia. Os distritos nos quais eleições gerais acontecerão pertencem aos estados de Caxemira, Uttar, Bihar e Jharkhand (norte), Arunachal, Assam, Manipur, Meghalaya, Mizoram e Nagaland (nordeste), Orissa (leste), Maharashtra (oeste), Kerala e Andhra (sul), e Chhattisgarh (centro), além das ilhas de Andaman e Lakshadweep. Andhra e Orissa realizarão também de forma paralela eleições ao Parlamento regional.
|